Porque deves ter um kit de sobrevivência

Porque deves ter um kit de sobrevivência

Porque deves ter um kit de sobrevivência

Se há uma coisa que esta semana nos mostrou, é que a rotina pode mudar de um momento para o outro. Não é dramatismo. É a realidade de muita gente que ficou sem eletricidade, com estradas cortadas, com água a subir e com serviços a funcionar a meio gás.

A tempestade Kristin foi um exemplo claro: o IPMA descreveu-a como um episódio de vento extremo, com registos que chegaram aos 156 km/h no aeródromo de Leiria. E a E-REDES chegou a reportar um pico de cerca de 1 milhão de clientes sem fornecimento de energia durante a madrugada.

Quando falta a luz, o que falha não é só a iluminação. Falham carregadores, multibanco, internet, frigoríficos, bombas de água em alguns edifícios, e a sensação de controlo vai logo atrás. A RTP noticiou que, dias depois, ainda havia localidades com “uma semana sem luz” no concelho de Leiria.

E, como se não bastasse, a semana trouxe também cheias e inundações. A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil falou em 5.793 ocorrências relacionadas com cheias em poucos dias e em centenas de pessoas realojadas em diferentes distritos.

Isto é exatamente o tipo de situação em que um kit de sobrevivência deixa de ser “um tema interessante” e passa a ser uma ferramenta de tranquilidade.

O kit não existe para viveres com medo. Existe para não ficares refém do improviso.

O que é, afinal, um kit de sobrevivência

Um kit de sobrevivência (ou kit de emergência) é o conjunto de coisas essenciais para aguentar as primeiras horas e os primeiros dias quando há uma falha grande, seja por tempestade, cheias, incêndios, apagão, ou até uma crise sanitária. A lógica das 72 horas não é aleatória: a Comissão Europeia recomenda que as famílias tenham bens essenciais para um período mínimo de 72 horas em caso de emergência.

Também em Portugal tens entidades a reforçar esta ideia de preparação como prevenção, não como alarme.

Exemplos portugueses recentes em que um kit teria ajudado (e muito)

Apagões. Em abril de 2025 houve um apagão generalizado na Península Ibérica. A ERSE indica que começou às 11h33 e que a reposição integral da rede de transporte em Portugal ficou concluída por volta das 23h20. Mesmo quando tudo “volta ao normal” no mesmo dia, passar horas sem energia mostra imediatamente o que te falta em casa.

Cheias e inundações rápidas. Em dezembro de 2022, o IPMA descreveu inundações repentinas na área metropolitana de Lisboa devido a precipitação forte e avisos meteorológicos que escalaram até vermelho. Nessa noite, além dos estragos, houve uma vítima mortal em Algés e foram reportadas 455 ocorrências.

Incêndios. Em Pedrógão Grande, em 2017, o número de mortos chegou a 64, segundo o Diário de Notícias. Em outubro do mesmo ano, os fogos provocaram 50 mortos, segundo a RTP. Ninguém “marca no calendário” quando vai precisar de sair de casa rápido, mas é isso que torna a preparação valiosa.

Pandemias. A OMS declarou a COVID-19 como pandemia a 11 de março de 2020. Em Portugal, foi declarado estado de emergência a 18 de março de 2020. Uma pandemia não é uma tempestade, mas cria o mesmo tipo de pressão: corridas às lojas, falhas de stock, ansiedade, e a necessidade de ter o básico garantido.

O que não pode faltar num kit (com números realistas)

Começa pelo básico que te dá autonomia real: água, energia, comunicação, primeiros socorros e comida.

Água. Uma referência fácil para muitas famílias é apontar para, pelo menos, 3 litros por pessoa por dia quando se fala em kit 72h, e a Cruz Vermelha Portuguesa fala em água para 5 dias (cerca de 4 litros por dia/pessoa) considerando beber e higiene, lembrando que crianças e mães a amamentar podem precisar de mais. Se quiseres um número ainda mais “pé no chão” por categoria, a Cruz Vermelha Canadiana propõe pelo menos 1 litro de água potável por pessoa/dia e 2 litros por pessoa/dia para limpeza e higiene, por pelo menos 3 dias.

Comida. A regra aqui é simples: comida que não estraga, que não te deixa com sede, e que consegues comer mesmo se não tiveres fogão. A Cruz Vermelha Portuguesa sugere alimentos de prazo alargado e que não exijam preparação, como conservas, barras energéticas, cereais, frutos secos e bolachas.

Comunicação e luz. Rádio a pilhas e lanterna parecem “coisas de antigamente”, mas quando falta rede e internet, voltam a ser essenciais. A DECO, ao explicar como preparar um kit, dá precisamente exemplos como rádio a pilhas, lanterna e pilhas extra, e lembra que as autoridades comunicam através de meios que não dependem de internet.

Saúde. Um estojo de primeiros socorros e medicação habitual (pelo menos para alguns dias) é uma das peças mais ignoradas até ao dia em que faz falta.

Dinheiro e documentos. Em eventos grandes, pagamentos eletrónicos podem falhar e ter algum dinheiro físico e cópias de documentos bem protegidas ajuda a resolver problemas mais rápido.

Se não queres fazer tudo do zero e queres um kit pronto

Há duas formas de estar preparado: construir aos poucos ou optar por um pack pensado para 72 horas. Se o teu objetivo for “ter já uma base boa” e depois personalizar com o que é específico da tua família, deixo aqui opções práticas da :

Para começar simples e leve: Kit Sobrevivência Essencial. No detalhe do produto, a marca lista itens como mochila impermeável 40L, filtro purificador com capacidade até 5.000 litros, lanterna LED recarregável e rádio a pilhas, além de estojo de primeiros socorros e manta térmica.

Para autonomia mais completa (inclui energia solar e cozinha): Kit Sobrevivência Avançado. O produto descreve painel solar 20W, power bank, além de ferramentas e utensílios para cozinhar e higiene, pensado para 72 horas ou mais.

Se queres tudo num só pack, com comida incluída: Kit Sobrevivência Essencial Completo. Aqui há opção de alimentação tradicional ou vegan para 72 horas e 2 pessoas, com refeições liofilizadas e complementos (barras, café, açúcar e sal), e a página refere validade até 8 anos para as refeições.

Se o teu foco for primeiro garantir comida de emergência: Kit Sobrevivência Alimentar Tradicionalou Kit Sobrevivência Alimentar Vegan. A página dos kits refere 12 refeições e menciona cerca de 500 kcal por refeição, além de barras e café.

E se já tens o resto e só queres uma mochila impermeável boa: Mochila Sobrevivência Impermeável 40L. A página descreve design roll-top, capacidade 40L e proteção impermeável.

Uma ideia final, sem alarmismos

O objetivo não é ter “um bunker” em casa. É ter uma base que te permite respirar fundo e pensar com clareza quando há falhas à tua volta. A União Europeia está literalmente a empurrar os cidadãos para uma cultura de preparação de 72 horas. E o que Portugal viveu nos últimos dias mostra porquê.

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